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Opinião: "Guia Prático do Feminismo - Como dialogar com um machista", de Marcella Rosa

Olá, este é o primeiro texto do blog. Aqui irei publicar textos sobre minhas impressões e experiência em relação à política e assuntos que eu considerar relevantes.

Irei começar com uma breve opinião sobre o livro "Guia Prático do Feminismo", da Marcella Rosa, pois o texto já estava pronto.



O "Guia Prático do Feminismo" possui formato de diálogo com um homem imaginário, que desconhece o feminismo e, de um modo geral, não se considera machista. Esse interlocutor possui poucas interações, mas são muito bem utilizadas. Refletem bem o que a gente escuta em conversas sobre feminismo e lê na internet.

Entretanto, pra mim, não faz muito sentido o subtítulo "Como Dialogar Com Um Machista". O livro em si já é o diálogo, e esse subtítulo só faz sentido se considerarmos o livro como "um exemplo de como fazer".

O público alvo parece (parece) ser o masculino, já que está em formato de diálogo. Mas traz muitas informações relevantes para mulheres, tanto pela questão do "como dialogar com um machista" quanto pelo fato de que existem mulheres antifeministas - e estas, na verdade, não são poucas. Existe também aquelas "feministas de internet" que simpatizam com a causa mas não possuem conhecimentos básicos sobre o feminismo.

Sendo homem ou sendo mulher, o livro cumpre muito bem sua função enquanto "guia prático do feminismo", e serve como introdução ao tema.

A leitura é interessante e traz muitas informações que, para um "esquerdopata padrão", podem parecer óbvias, mas, como homem, existem nuances que somos muitas vezes incapazes de perceber. Então, mesmo que a leitura pareça óbvia, vale a pena.

Algumas partes parecem mal-explicadas, como se estivesse falando sobre algo óbvio, mas que o leitor (homem e machista) desconhece. Aponto principalmente a descrição do "machista feministinha", que é comparado com o "machista old school" (exemplo: bolsonarianos) mas "de esquerda" (a autora não usa este termo, mas pra resumir, seria isso).

Edição: fui pro Google procurar a definição de "esquerdomacho". Basicamente, é o homem de esquerda que é progressista no discurso, que ate mesmo diz defender o Feminismo. Porém, assume atitudes machistas típicas. Ele usa sua posição "à esquerda" para se isentar de ser rotulado como "machista". Pode ser até mesmo que seu discurso seja apenas uma ferramenta para atrair mulheres.

Alguns links só para ilustrar;

http://obviousmag.org/devaneios_poeticos_e_outras_artes/2016/esquerdo-macho-eles-parecem-fofinhos-mas-sao-armadilhas.html

https://www.vice.com/pt_br/article/d7gkqk/como-identificar-um-esquerdo-macho-os-caras-que-acreditam-em-justia-social-mas-sao-sacanas-com-as-minas

http://omeuindizivel.blogspot.com/2017/05/esquerdo-macho-e-pior-do-que-machista.html?m=1

Preciso refletir sobre minha posição nisso, pois com certeza devo assumir, no meu cotidiano, atitudes machistas, mesmo que sem perceber.

A partir daqui, segue a continuação do texto original:

 Tudo bem que não era a intenção esgotar a descrição do "machista feministinha", mas fica no ar a pergunta "qual o mal do homem apoiar a causa feminista?". A resposta pode ser deduzida a partir da comparação com o racismo e a partir da parte final do livro, quando se descreve os diferentes Feminismos e o que, como homens, devemos fazer para não sermos machistas.

O problema do "machista feministinha" é a "apropriação do lugar de fala", do "protagonismo". Você, homem, pode sim apoiar o feminismo ao evitar atitudes que perpetuem o machismo. Mas nunca será "feminista" pois, ao ser homem, automaticamente está em uma posição de privilégio (assim como uma mulher que perpetue o machismo jamais será "machista", pois ela nunca terá uma posição de privilégio dentro do sistema machista). De qualquer forma, não ficou muito bem esclarecido por quê o "feministinha" seria não muito diferente do "old school".


O livro também possui uns poucos problemas de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura.

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