Sobre a #grevedoscaminhoneiros:
Lendo esta reportagem, não pude deixar de notar uma coisa muito louca e interessante, que podemos chamar de "buraco de minhoca ideológico". Isso é, quando alguém de um posicionamento ideológico adota estratégias do posicionamento ideológico diametralmente contrário ao dele. Tem uma explicação feita pela Sabrina Fernandes do Tese Onze aqui:
Era meio óbvio por causa dos cartazes pedindo "intervenção Militar". Percebi que os caminhoneiros creem mesmo que estão fazendo greve e não um locaute, mas também são contra movimentos sociais, atribuindo seu sucesso à ausência de bandeiras "de esquerda". São contra o sindicato, já que consideram que este não os representa por serem autônomos. Apoiam não somente a Intervenção Militar, desejo este já concedido pelo (des)Governo, mas também apoiam o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. E "greve", na sabedoria popular, é "coisa de comunista vagabundo, que não gosta de trabalhar".
Aí que as coisas ficam meio confusas. Caso consideremos a "greve" como greve mesmo e não como "locaute", temos uma "greve de direita", inclusive apoiada por pessoas de direita (apenas para contextualizar, esse "Desenhista que Pensa" faz charges reacionárias até onde sei. Nunca mais acessei a página, pra não dar visualização). Os caminhoneiros são, efetivamente, trabalhadores. Estão, efetivamente, e considerando que seja greve mesmo, exercendo um direito (Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender).
Não é muito louco e interessante ver a direita apoiar uma "greve" - e o fato de ser uma "greve" "anti-esquerdista"? Os mesmos que chamam os bancários, metroviários, carteiros, petroleiros de "vagabundos" quando em greve, apoiam o movimento dos caminhoneiros (embora eu suspeite que não seja algo majoritário, não vi uma única pessoa reclamar dessa "greve". Reclamaram até da greve dos bancários, que nem começou ainda, mas não desta).
Qual a diferença desta greve para com outras greves, de outras categorias, de outros espectros políticos? Seria a ojeriza às bandeiras de esquerda? Seria porque "o combustível afeta economicamente toda a sociedade"? Seria por causa do julgamento moral - "não é uma greve comandada pela CUT ou por centrais sindicais, logo, é um movimento legítimo"?
Na verdade não me interessa muito buscar resposta a essas perguntas - algumas delas nem são tão pertinentes assim, só estou divagando. Eu só queria comentar mesmo o quão louco e interessante isso que eu identifico como sendo um "buraco de minhoca ideológico".
Lendo esta reportagem, não pude deixar de notar uma coisa muito louca e interessante, que podemos chamar de "buraco de minhoca ideológico". Isso é, quando alguém de um posicionamento ideológico adota estratégias do posicionamento ideológico diametralmente contrário ao dele. Tem uma explicação feita pela Sabrina Fernandes do Tese Onze aqui:
Era meio óbvio por causa dos cartazes pedindo "intervenção Militar". Percebi que os caminhoneiros creem mesmo que estão fazendo greve e não um locaute, mas também são contra movimentos sociais, atribuindo seu sucesso à ausência de bandeiras "de esquerda". São contra o sindicato, já que consideram que este não os representa por serem autônomos. Apoiam não somente a Intervenção Militar, desejo este já concedido pelo (des)Governo, mas também apoiam o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. E "greve", na sabedoria popular, é "coisa de comunista vagabundo, que não gosta de trabalhar".
Aí que as coisas ficam meio confusas. Caso consideremos a "greve" como greve mesmo e não como "locaute", temos uma "greve de direita", inclusive apoiada por pessoas de direita (apenas para contextualizar, esse "Desenhista que Pensa" faz charges reacionárias até onde sei. Nunca mais acessei a página, pra não dar visualização). Os caminhoneiros são, efetivamente, trabalhadores. Estão, efetivamente, e considerando que seja greve mesmo, exercendo um direito (Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender).
Não é muito louco e interessante ver a direita apoiar uma "greve" - e o fato de ser uma "greve" "anti-esquerdista"? Os mesmos que chamam os bancários, metroviários, carteiros, petroleiros de "vagabundos" quando em greve, apoiam o movimento dos caminhoneiros (embora eu suspeite que não seja algo majoritário, não vi uma única pessoa reclamar dessa "greve". Reclamaram até da greve dos bancários, que nem começou ainda, mas não desta).
Qual a diferença desta greve para com outras greves, de outras categorias, de outros espectros políticos? Seria a ojeriza às bandeiras de esquerda? Seria porque "o combustível afeta economicamente toda a sociedade"? Seria por causa do julgamento moral - "não é uma greve comandada pela CUT ou por centrais sindicais, logo, é um movimento legítimo"?
Na verdade não me interessa muito buscar resposta a essas perguntas - algumas delas nem são tão pertinentes assim, só estou divagando. Eu só queria comentar mesmo o quão louco e interessante isso que eu identifico como sendo um "buraco de minhoca ideológico".

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